Ele.

Posted in Uncategorized with tags , on fevereiro 18, 2014 by Renatinha

A voz é rouca, suave, desligada, voz de que está sempre tudo bem, mesmo quando ela ecoa as coisas mais doloridas.
A risada boba, de moleque, daquelas que ela odeia em todo mundo, menos nele. Aquela que nele ela sente falta e até escuta no fundo da cabeça quando vê algo que sabe que ele daria risada.
O cabelo que brilha e cai indesejadamente na cara.
Ele odeia, ela adora.
A barba que ele deixa por pura preguiça e que ela comemorava a falta de vontade dele fazer. Que ela gostava de passar a mão e poderia fazer isso por horas.
Os olhos, tão verdes quanto ela nunca viu, que brilhavam e ela achava que poderia passar o resto da vida olhando e tentando decifrar que tipo de coisas eles escondiam, especialmente quando ele parava e a olhava em silêncio por longos minutos. E as sobrancelhas que juntavam, dando um ar bravo aos olhos mais doces.
As mãos com calos inexplicáveis, que era bom de passar os dedos quando queria se deixar o tempo passar sem pensar em nada e que arrumavam a franja dela, mesmo quando ela não estava caindo no rosto.
O sorriso, tão sincero. Os dentes da frente, de tamanhos diferentes. Um sorriso cativante, daqueles típicos de gente que parece ter nascido pra sorrir.
O perfume, que ela nunca decorou o nome, mas que basta sentir no ar para saber que é dele.
O abraço que fazia ela querer parar o tempo, desligar o mundo e ficar ali. Se sentindo a pessoa mais sortuda do mundo.
O jeito irritante de diminuir todos os problemas dela, que na hora fazia ela achar ele um babaca, mas depois fazia ela ver que ele tinha razão.

A mania de fugir dela e deixar ela sozinha, com saudades… do perfume que ela tanto gosta e dessa piada, que ela nunca entendeu.

Minha janela

Posted in Uncategorized with tags on novembro 14, 2013 by Renatinha

Ter os sentimentos de alguém nas suas mãos quando não se sabe nem o que fazer com os seus próprios é uma responsabilidade.

Alguns são levianos e apenas os tratam de forma que os suas próprias necessidades sejam satisfeitas.

Alguns ignoram seus próprios e focam em fazer outra pessoa feliz.

Alguns se arriscam.

Alguns se escondem.

A frase clichê que toda imagem de Facebook carrega do eterno Pequeno Príncipe: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

É uma frase forte, é uma frase assustadora.

Eu não quero ser responsável pelos sentimentos de ninguém.

Eu não quero ser causadora de dor, de medo, de saudade,…

E não quero que ninguém tenha o poder sobre esses meus sentimentos.

Mas o papo de “tudo que eu QUISER o cara lá de cima vai me dar” é balela. Até agora eu quis muita coisa, mas o morador do apartamento de cima não foi me dar nenhuma delas.

Aliás, nem bom dia ele já me deu.

Eu nem sei como é a cara dele, na verdade.

Só conheço o vizinho debaixo, por causa de um vazamento que teve no meu banheiro… Ele parece bravo, mas leva um poodle pra passear. Eu acho uma cena engraçada. Sei que ele tem uma loja de vidraças na rua do prédio.

Falando nisso minha janela da lavanderia quebrou o vidro e até agora eu não arrumei, já vai pra um ano… Eu sou muito desleixada mesmo.

Pera, do eu estava falando?

Era algo profundo.

Sei lá. Só sei que estou triste e tem relação com a parte lá de cima… e com o fato de eu não ter arrumado a janela ainda.

O vazamento tá ok faz tempo.

Sessão de terapia

Posted in Uncategorized with tags on outubro 11, 2013 by Renatinha

– Tá, bacana. Acho que você está bem. Eu te daria alta até, mas… Acho que falta algo.

– Falta o que?

– Te falta um objetivo de vida.

– E?

– Todo mundo tem que ter um e te faltar um me faz acreditar que ainda tem algo errado com você.

 

O que é um objetivo de vida?

Nada que eu pudesse sugerir como um, era aceito.

– Ser feliz?

– Muito amplo. Você não tem o objetivo de casar e ter filhos?

– Argh! Não.

– Ter bons amigos?

– Não. E ser uma publicitária muito conhecida?

– Aff. Pra que?

– Ter uma boa vida?

– Por que você não busca mais?

 

 

Fui embora pra nunca mais voltar.

Porque o que me faltava mesmo era vontade de pegar 10 estações me metrô pra chegar até lá.

 

E agora?

Posted in Uncategorized on outubro 8, 2013 by Renatinha

Está tudo errado.
E não há quem faça ficar certo.
Ninguém sabe qual é o certo.
Eu sei, mas eu não sei resolver.

Pedir ajuda?
Fora de cogitação. É preciso parecer forte, perfeita, destemida…

É preciso fazer de conta… Sempre.

Eu e meu corpo

Posted in Uncategorized with tags , on outubro 4, 2013 by Renatinha

Hoje, pela primeira vez em 26 anos, me olhei no espelho e me senti satisfeita.

Eu estou com um corpo lindo e maravilhoso?

Não.

Mas estou feliz com a imagem refletida ali.

Eu nunca disserto muito sobre o assunto, mas acho que essa sensação merece um texto.

Do dia que eu nasci até meus 12 anos, eu era muito gordinha.

Numa família de 4 pessoas, a única gordinha.

Mãe, irmão e irmã magros de dar agonia.

Na escola, eu era chamada de “gordinha empacotadora de comida”. Porque segundo eles (sim, eles explicavam o apelido), eu trabalhava empacotando comida, mas comia tudo… logo… Sério, como eu me ofendia? Esse era o melhor deles?

Mas eu me ofendia.

Na primeira série, eu me declarei pra um menino.  O que ele fez? Me perseguiu pela escola para brigar comigo, porque era vergonhoso pra ele que EU gostasse dele.

Sim. Crianças são um bosta.

Em casa era meu safe place né?

Não, not really.

Meus irmãos constantemente diziam que eu claramente era adotada. Como não poderia ser? Eu era gorda e eles magros.

Meu sonho era dançar ballet. Um dia juntei a família para “me apresentar”. E meu tio gritava “Ballet do cisne grávido”.

Engraçado né? Não pra mim.

Até hoje ele não entende por que não me dou bem com ele.

Eu não entendia. Nem gostar de comer, eu gostava.

Por que eu era assim?

Com 12 anos meu metabolismo resolveu se manifestar e eu emagreci loucamente. Dos 16 aos 18 eu tinha só 49 quilos.

Hoje eu olho aquelas fotos e era até assustador ser tão magra.

Aí eu mudei pra São Paulo.

Morando sozinha numa cidade com zinguibilhões de restaurantes maravilhosos.

Então, com 24 anos eu me olhei no espelho e foi como um tapa na cara.

Quem era ela?

78 quilos.

Eu, com meus 1,58, estava com 78 quilos.

IMC beirando a obesidade.

Sim, resultado de jantar Ruffles com Coca-Cola quase todo dia.

Esse susto foi bem quando eu rompi meu ligamento. E eu me desesperei. E agora, eu vou passar meses deitada. Como vou lidar com isso? A tendência é engordar mais.

Entrei numa dieta pesada de 800 calorias por dia. Comprei um Wii e jogos de dança, os quais eu jogava mexendo só os braços, já que o joelho estava parado.

Me reeduquei, virei a doida de ler calorias em pacotes, comecei a correr…

1 ano depois, 20 quilos tinham ido embora.

A rotina alimentar ficou um pouco mais leve, mas a paranoia tinha tomado conta.

“Não, ainda não está bom…”

“Ainda estou gorda… ainda estou feia… ainda não sou boa o suficiente…”

Mais academia, mais salada…

Ainda não estava bom.

A balança não mudava mais. Era desesperador. Vamos lá só mais 5 quilos.

Hoje eu subi na balança.

58 quilos.

Frustrada, apoiei a cabeça na parede. Pensando o que diabos eu poderia fazer para mudar isso.

Lipo? Tratamentos estéticos? Greve de fome?

Desci da balança enquanto ela me mostrava meus níveis de líquido e massa muscular (sim, minha balança tem essas coisas frescas).

59% de massa muscular.

Eu acho que nunca tive isso na vida.

Então eu desci da balança, me olhei no espelho quase sem roupa (sim, é assim que a gente noiado se pesa tá?).

E eu fiquei feliz.

Eu me olhei.

Pela primeira vez, eu olhei.

E eu gostei do que vi.

Acho que pessoas que nunca lutaram com sua imagem não conseguem ter a real noção do impacto que essa sensação tem, mas acredite:

Eu chorei.

Chorei de alegria. Porque apesar de eu não ser uma capa de revista, gostosona, perfeita… Eu estava feliz com aquilo que eu via.

Hoje eu tento comer mais equilibradamente, mas ainda como besteiras e bebo cerveja quase todos os dias. Danço duas vezes por semana, mas não pra ser magra, mas sim porque me faz bem. E vou na academia de vez em quando.

Eu não quero mais lutar com a minha imagem. Eu quero ser saudável e me sentir bem comigo mesma (seja gordinha, magrinha, ou no meu caso atual, pançudinha).

Não acredito na ditadura da magreza, nem na de ser obrigada a se aceitar como você é, como se buscar mudar fosse um pecado. Não acredito nem na ditadura da felicidade.

Acredito em chegar a um ponto da sua vida onde você se sinta confortável na sua pele, para que o dia a dia não seja uma luta interna. Porque honestamente, a batalha contra você mesmo é a mais desgastante de todas.

OUTUBRO

Posted in Uncategorized with tags , on setembro 29, 2013 by Renatinha

Eu gosto de outubro.

Não é o mês do meu aniversário.

Não tem nenhuma data significativa para mim a ser comemorada nesse mês.

Mas… eu gosto de outubro.

Eu gosto no nome “outubro”.

Eu gosto do fato do número do mês ser 10.

Eu gosto do dia das crianças e dia das bruxas.

Eu gosto muito de outubro.

É o aniversário do Kevin, meu Backstreet Boy favorito.

É a aniversário do meu irmão, uma das minhas pessoas favoritas.

Outubro tem cara de cinza e eu gosto de cinza.

Eu gosto muito de outubro.

Eu gosto mais de outubro do que de fevereiro. E olha que fevereiro é o meu mês.

Outubro parece certo. Outubro parece bom.

Susan Miller fez um horóscopo bem negativo para o meu outubro, mas eu não acredito… Porque é outubro.

Frio na barriga

Posted in Uncategorized with tags , on setembro 7, 2013 by Renatinha

É um frio na barriga.
Não o mesmo de sempre.
Aquele era diferente.
Aquele queria que você chegasse logo e esse não quer que você nunca.
Como as coisas mudam tanto em tão pouco tempo?
Coloco músicas animadas para você me ver dançando quando chegar e não saber que por dentro eu estou morrendo.
Hoje é nosso último dia.
Eu sei que depois de hoje não existe mais a remota possibilidade de “nós”.